Veja na íntegra, entrevista com Guilherme Lima - Fundador do Instituto Muda Brasil

January 29, 2019

Há 14 anos, Guilherme Lima e alguns amigos começaram um envolvimento com uma comunidade carente nas águas Espraiadas, na grande São Paulo, quando dois incêndios consecutivos atingiram a comunidade deixando centenas de moradores desabrigados.

Destes, oito (8) meninos foram levados por voluntários da Igreja Presbiteriana e Aliança para um local seguro, outros 30 passaram a viver em uma casa alugada por eles e o que era pra durar apenas 3 dias, tornaram-se 6 meses! E a convivência, a amizade e o relacionamento criado entre eles, trouxe a tona a necessidade não apenas do abrigo, mas de gerar esperança e transformação.

Professor de educação física e treinador de futebol então, Guilherme, recebe o apoio do Clube Paulistano, que também abre suas portas, usando o esporte como principal via de desenvolvimento, e futebol como uma atividade atrativa para tirá-los das ruas. Centenas de famílias das comunidades são atendidas pelo projeto e novas parcerias abrem a possibilidade de ampliação, que começa a abranger outras formas de atuação, incluindo artes e entretenimentos e cativando aos poucos o coração e a confiança da comunidade local.

Em um velho galpão nas proximidades da favela nasce então o Projeto Geração Vida Nova, que mais tarde viria a se tornar Instituto Muda Brasil. 

 

O que você enxergou naqueles primeiros dias? O que te fez dedicar toda sua vida por esta causa?

Um país com bastante desigualdade. Eu vivendo confortavelmente e este choque com a realidade de outros me causou uma inquietação... Porque eu estou em um momento tranquilo e tantas pessoas passando necessidade? O que eu posso fazer? E o que me fez dedicar a vida a isso, é entender que somos parte da resposta e a vida faz mais sentido quando a gente ajuda, quando a gente se movimenta em direção do outro nosso propósito de vida entra no eixo.

 

Os nomes escolhidos para o projeto “Geração Vida Nova” e “Muda Brasil” remete a uma transformação de vida! Como você sente que pode gerar esta transformação? 

Primeiro, é preciso se movimentar, ser criativo e colocar a mão na massa... Acredito muito, também, no trabalho de instigar outros a fazer o mesmo. Acender essa chama em outras pessoas! A começar por aqueles, que hoje, estamos empenhados em ajudar. Nosso foco é formar jovens mais concientes de suas potencialidades, de seus direitos e deveres e ajudá-los na formação do seu caráter e também gerar oportunidades para que ele possa ter acesso às condições que vão ajudá-los a não apenas mudar de vida, mas a serem estes agentes de transformação do país na sua própria área de atuação. Queremos também unir o primeiro, o segundo e o terceiro setor da sociedade, gerar pensadores para trilharmos juntos caminhos de mudanças.

 

Qual a mudança que você realmente espera ver no Brasil e como acha que o Instituto Muda Brasil está contribuindo com ela?

Eu gostaria de gerar a mentalidade de “ser a mudança que você quer ver no mundo”. Eu gostaria de ver um país que não olhe só para si mesmo, que pense no outro.

 

Você está à frente do Instituto Muda Brasil há quase duas décadas e com certeza, se deparou com muitos desafios ao longo dos anos, Qual você diria que foi o mais difícil de todos?

Pensando em qual foi o maior desafio de todos, acredito que foi manter um sonho sem um apoio financeiro de grande peso. Nós nunca tivemos um apoio exclusivo de ninguém, mas por outro lado, eu encaro isso como parte da nossa história, de quem nós somos, foi muito bacana ao longo da história, se deparar com os desafios, mas escolher permanecer e ir construindo nossa base de apoio aos poucos. Conquistando apoiadores, conhecendo outros corações dispostos a se doar.

Houve um momento em que um grande apoiador nosso, nos deixou e a burocracia, a demora da resposta do governo tornou as coisas muito difíceis e nós nos vimos em um momento de maior crise. Mas escolhemos permanecer frente a isso e acreditar na causa que nos impulsionava e foi muito legal, ver pessoas se mobilizando, acreditando na gente também. 

Como instituição nós nos deparamos demais com o governo. As questões que geralmente dependem de uma resposta do governo demoram muito, as coisas ligadas as instituições de terceiro setor já são extremamente burocráticas no nosso país e infelizmente, existe ainda muita politicagem, no sentido em que se perde verbas ou uma simples atenção por questões meramente partidárias.

 

Conseguir apoio ainda é uma dificuldade no Brasil?

Uma coisa muito bacana do brasileiro é esta disposição em ajudar, então não acho que encontrar apoio seja uma dificuldade. Talvez algumas pessoas desejem ajudar, mas não tem dinheiro por exemplo e não sabem como o fazer de maneira eficaz.

Bom, esta pessoa pode ajudar com ações voluntárias, por exemplo. 

Agora, falando sobre o apoio de empresas, vale dizer que, hoje, um dos braços do Instituto Muda Brasil é o Negócio Social, onde buscamos soluções de Impacto Social de maneira criativa, que beneficia não só nossa instituição como a própria empresa apoiadora com projetos como o Jovem Aprendiz, a consultoria para a escrita e o investimento em projetos incentivados, a gestão de voluntários, entre outros. 

 

O que te inspira e te faz persistir? 

Eu gosto muito de uma frase de Martin Luther King que diz: “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.” Eu jamais poderia me permitir ficar em silêncio depois de ter sido tão impactado pela realidade com a qual me deparei naquele ano de 2004. Corresponder a isso, é dizer sim para o propósito para o qual acredito que fui criado e chamado por Deus. Me da prazer, me dá propósito de vida! Desistir nunca foi uma opção.

 

Se você tivesse a oportunidade de inspirar pessoas a fazer o mesmo. O que você diria a elas para encoraja-las?

Quando entramos neste caminho, não tínhamos ideia do que estávamos fazendo, não foi algo planejado. Foi um tiro no escuro. A favela pegou fogo, nós nos dispomos a ajudar algumas crianças, 3 dias se tornaram 6 meses e estes 6 meses já se estendem por quase 15 anos e posso dizer: valeu a pena! Tirar os olhos de sí, ajudar outros, faz com que nos sintamos vivos! Nos da propósito! Talvez você até sinta vontade de fazer algo, mas não sabe como. Talvez você  julgue não ter todos os recursos necessários. Bem... Eu não o tinha... Talvez pense, não ser qualificado. Eu era um professor de educação física... Eu quero te dizer, quando você se dispõe, quando você se levanta para fazer a diferença, não há o que possa te parar! Corra atrás dos seus sonhos e lembre-se: a realização dele poderá gerar e realizar muitos outros sonhos!

 

 

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